quinta-feira, abril 27, 2006

MC AMAZON

Este é um símbolo conhecido internacionalmente: os arcos dourados avistam-se em vários países pelo mundo fora. Mas independentemente do que a mega Fast Food quer que acreditemos que os arcos dourados representam, actualmente o McDonald's é sinónimo de destruição das rainforests. E isso é uma 'Unhappy Meal' (infeliz refeição) para o planeta… 27-07-2006


A Floresta Amazónia não precisa de apresentação: a mera menção do seu nome traz ao pensamento imagens de uma enorme, virgem e exuberante vida selvagem. Mas para o McDonald's e uns quantos negociantes de soja, a Amazónia significa algo completamente diferente. Significa terra e trabalho barato. Terra barata porque é muitas vezes roubada, trabalho barato porque algumas das pessoas que trabalham nas quintas a cortar a floresta são, na realidade, escravos. Sim, ESCRAVOS.“Como é possível?”, perguntas. Mais ou menos assim.Os comerciantes de soja encorajam os fazendeiros a cortar a floresta e plantar massivas monoculturas de soja. Os comerciantes agarram na soja e enviam-na para a Europa onde esta serve de alimentação a animais como galinhas e porcos. Os animais são depois transformados em produtos Fast Food como o McDonald's McNuggets e muitos outros produtos encontrados nas lojas fast food e supermercados.A viagem da floresta ao restaurante pode parecer simples mas levou um ano de investigações usando imagens de satélites, vigilância aérea, documentos governamentais previamente não soltos e pesquisa no terreno. O que encontrámos foi um comércio global na soja que vai desde a destruição da floresta amazónica até às lojas fast food McDonald's e supermercados da Europa.“Este crime espalha-se desde o coração da Amazónia através de toda a indústria de comida da Europa. Supermercados e gigantes Fast Food, como o McDonald's, devem garantir que a sua comida esteja livre de qualquer ligação com a a destruição da floresta Amazónica, escravatura e abuso dos direitos humanos”, afirmou Gavin Edwards, coordenador da campanha Florestas Greenpeace.


A maior parte do comércio global da soja é controlado por um pequeno número de comerciantes massivos: Cargill, Bunge e Archer Daniels Midland (ADM). No Brasil, este cartel desempenha o papel de banco para os fazendeiros. Em vez de providenciar empréstimos eles dão aos fazedeiros sementes, fertilizantes e herbicidas em troca de colheita de soja: apenas Bunge providenciou aos fazendeiros brasileiros, em 2004, o equivalente de cerca de 1 Bilião em sementes, fertilizantes e herbicidas.Isto dá às companhias controlo indirecto sobre enormes áreas de terra que costumavam ser floresta tropical. Em conjunto, estas três companhias são responsáveis por cerca de 60% da totalidade de financiamento de produção de soja no Brasil.O estado de Mato Grosso é o pior no Brasil em termos de desflorestação e fogos florestais, contando para cerca de metade da desflorestação da Amazónia em 2003-04. Em Mato Grosso, o governador, Blairo Maggi, é conhecido localmente como ‘Rei da Soja’. A sua própria companhia de soja Grupo Andre Maggi controla muita da produção de soja no estado e, desde a sua eleição em 2002, a destruição da floresta em Mato Grosso aumentou em 30%.Os bancos também foram apanhados na destruição da Amazónia. A International Finance Corporation (IFC), o braço privado de empréstimos do World Bank, avaliou erradamente um empréstimo ao grupo Andre Maggi como sendo de “risco ambiental baixo” apesar da evidência em contrário. Outros bancos também emprestaram enormes somas de dinheiro à companhia sem proceder aos seus exames ambientais ou de impacto social.Até agora, Rabobank, o maior banco agricultural dos Paises baixos, emprestou mais de 330 milhoes de dólares ao Grupo Andre Maggi. Rabobank admitiu que não fez a sua própria avaliação dos riscos dos empréstimos, aceitando simplesmente a avaliação da IFC. Por isso, fast food e supermercados, comerciantes de soja e bancos grandes estão todos a poluir a floresta Amazónica.Se podemos traçar as sementes de soja a mais de 7,000 km (4,400 milhas) desde as fazendas na Amazónia aos produtos de galinha na Europa, então não existe desculpa para não saber de onde vem e exigir a exclusão da soja da Amazónia da sua cadeia alimentar.


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